30 Sep 2011

Para conectar-se, desconecte-se

O vídeo acima retrata a mais cruel das circunstâncias que vivemos em nossa contemporaneidade. Somos extremamente impessoais, voltados para nós mesmos em uma espécie de culto à nossa própria criação, utilizando as ferramentas que construímos para nos auxiliar em nossas tarefas diárias como um refúgio, um escape da inevitável realidade dos relacionamentos. Tornou-se explicitamente óbvio que tudo o que nós fazemos para facilitar a vida diária também tem seu lado negro, pois o que é criado para facilitar também contribui para que nos tornemos seres conformistas e preguiçosos, sempre em busca da forma mais simples e menos desconfortante possível para tudo. E relacionar-se não é algo exatamente fácil. Exige muito esforço, energia e acima de tudo tempo.

Quem nunca começou a usar o celular, um joguinho no tablet, ou uma página da internet para não se achar na “desconfortável obrigação” de iniciar uma conversa simples, ou mesmo um confronto para resolver alguma divergência? É muito mais fácil expressar descontentamento, decepção ou até mesmo raiva enviando um e-mail do que em um encontro pessoal. É confortável quando você não precisa demonstrar suas emoções em uma conversa mais difícil ou até mesmo para manter amizades, bastando apenas aquela “cutucada” no facebook.

Desta forma vamos nos esquecendo da incomparável sensação do calor humano. Vamos nos acostumando a não olhar dentro dos olhos de alguém e ter a tarefa de decifrar suas emoções. Vamos nos esquivando de ser autênticos em momentos de dor e sofrimento. Vamos nos tornando as máquinas conscientes que um dia tememos dominariam o mundo.

Não escrevo este post para protestar contra o uso da tecnologia em tarefas diárias e entretenimento, até porquê sou analista de sistemas e passo 8 horas na frente do computador todos os dias. Escrevo para tentar contribuir um pouquinho com a disseminação de um estilo de vida mais pessoal. Começando por mim mesmo, que, quando estou em casa depois do trabalho costumo passar horas assistindo televisão. Desejo que nos encorajemos mutuamente à prestar atenção nas pessoas que nos rodeiam. Enfrente a difícil tarefa de se relacionar, afinal de contas, é para os relacionamentos que fomos criados. Sem isso a vida, de fato, não tem sentido.

Desligue o celular, a televisão, o computador, pelo menos o suficiente para conviver com as pessoas que te cercam. Ame essas pessoas como se não houvesse amanhã. Utilize as ferramentas que estão ao nosso alcance apenas como o que elas realmente são: ferramentas, e não um escape prolongado da realidade em que se vive. Viva a vida plenamente. Relacione-se.

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